Projeto escolar com cunho gaiense em mostra de ciência mundial no Arizona
Aos 18 anos, Maria Canela, gaiense residente em Canidelo e estudante de Medicina, participou no concurso ISEF — International Science and Engineering Fair 2026, no Arizona, para apresentar, juntamente com os maiatos Afonso Amaral e José Costa, o projeto ‘Blood Block’, criado durante o 12.º ano no Colégio Luso-Francês. José Cunha esteve ausente por ausência forçada, mas também foi um dos elementos do grupo que conseguiu "transformar resíduos e desperdícios das indústrias da cortiça e do café em produtos que promovem a coagulação do sangue e a cicatrização de hemorragias, criando uma membrana hemostática com taninos e um gel", como detalhou Maria Canela ao jornal O Gaiense. Com a professora Edite Cunha, da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto (FFUP) desenvolveram o trabalho com o objetivo de "parar hemorragias em locais mais remotos", após refletirem que "os dentistas usam sacos de chá para parar hemorragias e descobrimos que os tatinos estão presentes na borra do café e são alternativa". Para produzirem o gel, a matéria-prima foi disponibilizada pelo bar da FFUP e pela corticeira Amorim. Nos Estados Unidos da América, o trabalho acabou por não ser premiado, mas "não era o mais importante".
A participação na feira internacional permitiu contactar com outros cientistas, num universo de 1700 participantes de 60 países. Os jovens portugueses foram acompanhados pela professora Rita Rocha, nesta viagem que resultou do prémio pelo segundo lugar conquistado na Mostra Nacional de Ciência 2025, promovida pela Fundação da Juventude. "Foi incrível. Termos ido ao maior congresso de ciência e ver projetos que não pensávamos que fosse possível concretizar, foi uma oportunidade única", indicou Maria Canela. A experiência também permitiu "ter ideias para o nossos projeto, e aprofundar conhecimentos, como para os ensaios clínicos, que é difícil porque em Portugal por causa das autorizações bioéticas".
Neste ano letivo, os jovens estão a frequentar a universidade. José Costa e Maria Canela estão na Faculdade de Medicina do Porto. A jovem gaiense quer "seguir medicina como os pais", mas não prevê seguir as pisadas da mãe, especialista em psiquiatria. "Estou a pensar numa área cirúrgica, como o meu pai. Será cirurgia ortopédica. É um caminho longo, seis anos de curso que vão ser bastante intensos”, antevê Maria Canela.