O futuro de Sócrates

01-06-2021 | 16:44 | | |

O futuro de Sócrates

Escrito por Filipe Bastos

À hora do fecho da nossa edição não era conhecida, ainda, a decisão de Ivo Rosa, o juiz da ‘Operação Marquês’, quanto ao tipo de crimes pelos quais Sócrates será, ou não, pronunciado e se irá, ou não, a julgamento, depois do juiz ter estado dois anos, a tempo inteiro, neste processo, numa fase de instrução.
As apostas durante a semana eram no sentido de que a acusação do crime de corrupção cairia. Ou seja, por outras palavras: que Sócrates e seus acólitos se vão mais uma vez ‘safar’, como, aliás, é hábito cá no burgo.
Claro que - também como é normal - o que se tem estado a discutir há mais de oito anos em tribunal não são as provas da eventual corrupção - ou das causas que terá levado ao enriquecimento do antigo Primeiro Ministro - mas sim os pormenores jurídicos que permitem que o ‘julgamento’ se vá perpetuando no tempo. Por outras palavras: a matéria de facto, que é o mais importante, ou seja, se o arguido cometeu, ou não os crimes, passa sempre para segundo plano.
Diz-se, até, que não sendo esta a última decisão, o caso pode arrastar-se pelas diversas salas dos vários tribunais, pelas quais o caso ainda vai passar, por muitos anos. Já se aposta no epílogo para depois de 2030!
Isto quer dizer que, ao fim de cerca de 20 anos (vinte!), talvez tenhamos o trânsito em julgado deste ‘mega processo’ que terá sido, propositadamente, considerado mega para o poder arrastar quase até ao infinito.
Das duas, três: o homem é culpado, inocente ou, então, não se consegue reunir provas suficientes para o condenar. Mas a verdade é que uma das três soluções já devia ter sido encontrada. Porque, ao fim de tanto tempo com o processo em ‘banho maria’, qualquer que venha a ser o desfecho, nunca será justo.
Jorge Coelho: ao fim da tarde de quarta-feira fomos surpreendidos pela morte de Jorge Coelho. Lembro-me do dia 4 de março de 2001, porque era previsível eu passar na Ponte de Entre-os-Rios, à hora em que ela desabou. E lembro-me bem da sua frase: “A culpa não pode morrer solteira”. E não morreu. Ele, um político que conhecia o significado da palavra ética, demitiu-se. Sim, ele era Ministro e assumiu a culpa política do desastre. Pena que a sua ação não tenha feito escola na política portuguesa.