O depreciado motorista Fernando Santos

21-06-2021 | 08:49 | | |

O depreciado motorista Fernando Santos

Escrito por Filipe Bastos

Os portugueses têm por hábito depreciar o trabalho das figuras nacionais em detrimento das estrangeiras. É quase sempre assim em todas as profissões. O que vem de fora é que é bom. O nosso... contesta-se sempre. Com Fernando Santos é, também, assim.  Ora porque joga sempre com dois pivôs defensivos, porque tem um futebol mais de contenção, etc, etc.

As queixas são aos magotes. Indiferente a isso, o Engenheiro lá vai fazendo o seu trabalho e, para tristeza dos seus detratores, ganha títulos. Portugal é, presentemente, ‘apenas’ o campeão da Europa, para além de ter vencido recentemente a primeira edição da Liga das Nações. Começamos o campeonato da Europa 2020 frente à Hungria. A jogar em Budapeste, capital do país, com mais de 60 mil adeptos húngaros nas bancadas e, vejam lá, ganhamos por 3-0! Ligámos as TV’s e, julgava eu, ingenuamente, claro, que iam tecer elogios a Fernando Santos. Não. O homem fez as substituições tarde, etc, etc. Ou seja, quem ouvisse aquilo e não soubesse o resultado, julgaria que o resultado tinha sido ao contrário, que tínhamos perdido por 3-0. Mas não, não foi. Foi Portugal, orientado pelo ‘motorista’ Fernando Santos que ganhou. E por três. E na Hungria. E perante 60 mil adeptos húngaros. Em vez de enaltecermos, como o fez quase todo o mundo, a jogada do terceiro golo que é um verdadeiro hino à beleza estética não só do golo mas da jogada toda, arranjamos  um ‘cabelozinho’, que não estava no sítio para criticarmos.

Haja decoro. E valorizemos o que fazemos de bem. Como tem feito há uns anos a esta parte a seleção nacional. Já basta. Para plagiar um slogan que dizia ‘deixem jogar o Mantorras’, eu digo: deixem o Fernando Santos treinar. Em paz. E ganhar. Como o tem feito.