AUTOMOBILISTAS DE BOLSOS VAZIOS

22-10-2021 | 13:10 | | |

AUTOMOBILISTAS DE BOLSOS VAZIOS

Escrito por Filipe Bastos

a guerra dos preços dos combustíveis está ao rubro. De facto, os aumentos constantes, que têm sofrido ao longo do ano, deixam os automobilistas de ‘cabelos em pé’ e bolsos vazios. Alguma coisa é preciso fazer com urgência. Porque, efetivamente, é muito estranho que Portugal tenha um dos menores salários mínimos da Europa e, em contraponto, tenha os combustíveis mais caros. Quinta-feira foi publicada a lei que permite ao Governo limitar as margens de lucro. Sim, eu sei que foi pela pressão das manifestações. Assim seja. O importante é que o Governo resolva o assunto, nem que seja, também, abdicar de parte dos 58% dos impostos que cobra em cada litro de combustível. Concordo, de forma absoluta, que é preciso diminuir o consumo dos combustíveis fósseis. Mas levar os preços a ultrapassar os dois euros por litro não me parece a fórmula mais correcta. A meu ver, há, a montante, muita coisa que o Governo pode e deve fazer. Desde logo - e sobretudo - a oferta de transportes públicos de melhor qualidade. Não se podem só culpar os automobilistas de usarem o carro, na maioria das vezes, apenas com o condutor. Isso é verdade. Mas qual é a alternativa que têm? Pelo custo das habitações, as pessoas passaram a comprar casas nas periferias das cidades que, na sua maioria, são pessimamente servidas de transportes colectivos, para não dizer, em muitos casos, inexistentes. Por outro lado, como se vê, é ainda muito cedo para o uso de carros eléctricos. Por duas ordens de razão. Porque as baterias ainda não estão suficientemente desenvolvidas (e sinceramente não sei se o uso do lítio nas baterias não seja mais prejudicial do que o uso da gasolina ou do gasóleo...), e, por outro, porque a autonomia - e os preços - dos modelos que têm surgido no mercado, não são suficientemente atrativos para a viragem para o carro elétrico. Claro que me foquei mais no transporte particular. Mas é mais do que evidente que se os preços assim continuarem, todas as mercadorias (na sua maioria transportadas por via terrestre) aumentarão de preço, porque os donos das transportadoras não podem continuar a suportar este disparate.