MARCELO COM A CABEÇA NO CEPO

05-11-2021 | 13:11 | | |

MARCELO COM A CABEÇA NO CEPO

Escrito por Filipe Bastos

Era fatal como o destino. Aliás, a marcação de eleições não tem nada de inesperado. Marcelo tinha avisado: ou há aprovação do orçamento ou vamos para eleições. E vamos. A maioria dos partidos estará de acordo com a dissolução da Assembleia da República, depois da não aprovação do orçamento, muito embora houvesse outros caminhos. Na marcação do dia, é que nem todos estiveram de acordo. Marcelo marcou o dia 30 de janeiro. A maioria queria a 16, embora Rangel as quisesse para fins de fevereiro. O problema é mesmo esse: a direita está um caos. Lutas intestinas no PSD e CDS e até o Chega tem congresso para eleger novo líder. As cenas dos próximos capítulos políticos, sobretudo no PSD e CDS, vão animar os meses de novembro, dezembro e janeiro. Três longos meses, em que o país vai ver os atores políticos a atirarem pedras uns aos outros, em vez de discutir o fundamental.   Exemplo: no PSD, esta semana, até já teve que ir a polícia à sede para separar militantes que, em vez de conversarem sobre o futuro do país e do PSD, se envolveram, ao que dizem, numas lamentáveis cenas de pancadaria, normalmente só vistas em países da América Latina. O poder tolda as mentes e ‘dissolve’ a democracia. A tal, que eles, cá fora, nos jornais e nas tv, se fartam de proclamar, invocando, até, o papel decisivo na construção da democracia no país. A questão é: será que as eleições vão resolver o problema levantado com a não aprovação do orçamento? Duvido. Melhor, tenho quase a certeza que não. Aliás, basta atentar numa sondagem publicada ontem, que aponta, de novo, para uma vitória do PS e um quadro quase igual ao do presente. Já escrevi: os amigos da esquerda, já avisaram Costa de que não o vão ajudar. Será o PSD a fazer ressurgir o bloco central? Também não me parece. Eu sei que em democracia há sempre soluções. Mas lá que umas são mais difíceis do que outras, isso é verdade. Não resta outra alternativa. Vamos aguardar pelo dia 30 e nos dias seguintes veremos as soluções encontradas. É que, se o quadro se mantiver, também Marcelo fica com a cabeça no cepo e com um mandato mais atribulado e menos propício a selfies.